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| Fonte foto: valedocurimatau.com.br |
São de conhecimento geral as peculiaridades da geomorfologia do território japonês, uma nação plantada sobre um arquipélago, com pouco solo disponível, muitas montanhas rochosas, vulcões ativos e tectonismo constante (http://pt.wikipedia.org/wiki/Jap%C3%A3o), além de sua localização no Círculo do Fogo do Pacífico (http://educacao.uol.com.br/geografia/circulo-de-fogo-do-pacifico-regiao-concentra-as-ocorrencias-de-terremotos-e-atividades-vulcanicas.jhtm) e seu posicionamento sobre duas placas tectônicas importantes e instáveis (Placa do Pacífico e Placa da Ásia), de modo que há milênios os japoneses sofrem com esses fenômenos naturais.
Por serem tais fenômenos constantes e estarem ocorrendo há milhares de anos, o povo japonês aprendeu a adaptar-se a eles e a fazer da tecnologia uma aliada para minimizar seus efeitos, como, por exemplo, arranha céus com amortecedores ( http://www.revistatechne.com.br/engenharia-civil/131/imprime73349.asp - esse é chinês, mas há vários assim no Japão). As soluções de engenharia e tecnologia costumam dar ao ser humano a falsa noção de que somos imunes a desastres naturais (que, em verdade, só são assim rotulados porque há mortes, mas nada mais são que parte do movimento contínuo de crescimento do planeta) e sermos tão duramente confrontados nessa crença confortável mexe com nosso emocional.
Como “desgraça pouca é bobagem”, os anos de decisões desenvolvimentistas tomadas com base apenas nos fatos políticos e econômicos dos países agora cobram seu preço e o Japão é o primeiro a mostrar claramente tal cobrança.
Amparado no apoio americano, numa moeda forte, nas peculiaridades naturais do país e em sua base industrial altamente tecnológica, o país optou pela energia nuclear como uma de suas principais matrizes energéticas. Possui inúmeras usinas atômicas por todo seu território (http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&langpair=en%7Cpt&u=http://www.insc.anl.gov/pwrmaps/map/japan.php) e algumas delas foram afetadas por incêndios e vazamentos radioativos após a ocorrência do tsunami que assolou parte do país.
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| Fonte foto: dignow.org |
Convencionou-se separar as formas de energia nas categorias “limpa” e “não limpa” quando se quer qualificar o custo ecológico de cada uma delas, mas não existe produção de energia totalmente sem agravos ao ambiente. A análise que se deve fazer é qual a energia mais limpa possível, com melhor custo benefício, a ser utilizada em cada país considerando-se as possibilidades de uso e esgotamento em longo prazo.
Por longos anos, após o fim da Guerra Fria, deixou-se de falar em energia nuclear, posto que sobre esta pesa o estigma da produção de armamentos. Esquecemos, entretanto, de que a energia nuclear não é só isso, sua utilização também pode gerar benefícios (caso inequívoco de nações como o Japão, que optaram por tal matriz energética).
Cabe a nós, agora, reativar o debate e definir tal forma de energia, com as eventuais falhas de sistema dos centros produtores, bem como a possibilidade efetiva de contaminação do ambiente e suas conseqüências nefastas, é compensatória.
Em termos de Brasil, considerando nossas peculiaridades de território, geomorfologia, população, potenciais hidrelétrico, solar e eólico e desenvolvimento tecnológico, a resposta, no meu entender, é não.


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ResponderExcluirRecebi uma postagem de uma usuária blogger de nickname "Paloma" a respeito deste texto, onde ela questionava a relação do mesmo com o que ela chamou de "tsunami biológico". Sinceramente, não entendi a pergunta e o comentário não foi aceito como postagem no blog por conta de expressões de baixo calão utilizadas na mensagem.
ResponderExcluirMas fica o convite para, caso a usuária em questão realmente queira debater em mais alto nível, que volte a se manifestar em bases mais claras e sem palavras ofensivas.